quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Mais um Pouco


Quando estiveres à beira da explosão na cólera, cala-te mais um pouco e o silêncio nos poupará enormes desgostos.

Quando fores tentado a examinar as consciências alheias, guarda os princípios do respeito e da fraternidade mais um pouco e a benevolência nos livrará de muitas complicações.

Quando o desânimo impuser a paralização de tuas forças na tarefa a que foste chamado, prossegue agindo no dever que te cabe, exercitando a resistência mais um pouco e a obra realizada ser-nos-á bênção de luz.

Quando a revolta espicaçar-te o coração, usa a humildade e o entendimento mais um pouco e não sofreremos o remorso de haver ferido corações que devemos proteger e considerar.

Quando a lição oferecer dificuldades à tua mente, compelindo-te à desistência do progresso individual, aplica-te ao problema ou ao ensinamento mais um pouco e a solução será clara resposta à nossa expectativa.

Quando a idéia de repouso sugerir o adiamento da obra que te cabe fazer, persiste com a disciplina mais um pouco e o dever bem cumprido ser-nos-á alegria perene.

Quando o trabalho te parecer monótono e inexpressivo, guarda fidelidade aos compromissos assumidos mais um pouco e o estímulo voltará ao nosso campo de ação.

Quando a enfermidade do corpo trouxer pensamentos de inatividade, procurando imobilizar-te os braços e o coração, persevera com Jesus mais um pouco e prossegue auxiliando aos outros, agindo e servindo como puderes, porque o Divino Médico jamais nos recebe as rogativas em vão.

Em qualquer dificuldade ou impedimento, não te esqueças de usar um pouco mais de paciência, amor, renúncia e boa vontade, em favor de teu próprio bem-estar.

O segredo da vitória, em todos os setores da vida, permanece na arte do aprender, imaginar, esperar e fazer mais um pouco.

Xavier, Francisco Candido. Da obra: Apostilas da Vida. Ditado pelo Espírito André Luiz. 5 edição. Araras, SP: IDE. 1993.

domingo, 10 de janeiro de 2010

Mudar? Nunca!


Viktor Frankl, o famoso psiquiatra vienense, disse que a coisa mais importante que a psicologia pode e deve fazer é impressionar-nos com nossos próprios poderes, principalmente nosso poder de mudar e crescer.

Eu resisto à mudança. E você? Não há problema em admitir isso. Eu e você estamos confortáveis em nossa rotina. Isso não quer dizer que não possamos mudar: simplesmente não estamos dispostos a fazê-lo. Nem todas as mudanças são ruins. Nós simplesmente não queremos sair de nossa zona de conforto para experimentá-las.

Nada acontecerá na sua vida enquanto você não fizer acontecer – depende de você.

A coisa que mais me entristece ouvir outra pessoa dizer é: “É assim que eu sou. Eu sou assim desde pequeno, sou agora, e sempre serei”. Tenho vontade de protestar: “Oh, não, por favor, não diga isso. Nem pense uma coisa dessas”. Acredito na mudança com todos os músculos, fibras e células de meu ser. Todos somos capazes de mudar.

Permanecer na zona de conforto significa não se esforçar, não mudar, não arriscar fazer uma viagem através de águas desconhecidas. Mas isso só funciona enquanto você não acorda e vê o que está perdendo: a excitação de soltar as amarras, de aceitar apenas o que realmente o faz feliz. O grau de risco que você assume determina o grau de excitação que experimenta. Não estou me referindo a riscos ridículos, como dirigir o carro na contramão. Falo de riscos produtivos que o fazem chegar mais perto daquilo que de fato quer. Que o faz crescer.

Felizmente nem tudo está perdido!
Há esperanças!

O crescimento entendido como um processo permanente de desenvolvimento e aprimoramento dos potenciais e das habilidades adquiridas, é a alternativa para quem deseja reverter situações adversas e prosperar.

Entretanto, é comum fazer-se uma pergunta a respeito do crescimento pessoal: Qual a razão maior para a acomodação e letargia? A resposta para ir direto ao ponto, pode ser encontrada na analogia com o “bonsai”. Delicada e de beleza plástica inigualável, a arte do “bonsai” pacientemente cultivada pelos japoneses, resulta em uma árvore adulta contida em um pequeno vaso, para ser admirada pela pessoa em sua sala de estar. O crescimento limitado do vegetal é determinado por um tratamento detalhado, sendo o espaço de enraizamento o mais importante dos cuidados. O “bonsai” é pequeno, porque o espaço físico para o crescimento é limitado. Nele, a árvore amadurece, mas não cresce como seria normal se plantada em um amplo terreno.

Crescer é soltar as amarras (a vontade), decidir-se por um ponto a ser alcançado (o objetivo), acelerar os motores e manter firme o curso .... para vencer!

A vida recompensa a ação. Entrar em ação para alcançar sua maior meta é uma das coisas mais fantásticas que você pode fazer por si mesmo.

Equivocadamente, muitas pessoas descuidam do seu crescimento, perdendo, a cada dia, valiosas oportunidades de prosperarem. Tornam-se, com efeito, vítimas da própria imprudência e lamentam “a falta de oportunidades” e sorte.

É voz corrente na sabedoria popular que “para os fracassos, temos justificativas e para o sucesso temos histórias!”

Então pare de justificar-se e comece a mudar, arrisque-se e cresça!

Hoje é o melhor dia para iniciar as mudanças que deseja. Você pode transformar a sua saúde, sua vida social, seus relacionamentos, seu desempenho no trabalho, sua disposição com relação aos outros, sua situação financeira e suas oportunidades profissionais. Você pode mudar sua vida! Se quiser mudar, tudo se transformará para você.

Não tente modificar o que está fora do seu alcance; mude o que está dentro da sua cabeça e do seu coração. No futuro, quando sofrer infortúnios ou adversidades, encare a situação de outra maneira. Não deseje que a sua vida seja mais fácil, decida-se estar intelectualmente melhor equipado para lidar com os altos e baixos por meio do desenvolvimento pessoal. Não deseje menos dificuldades, decida-se a alimentar mais talentos e habilidades para poder sair-se melhor nos novos desafios.

Arrebente a parede do vaso que atrofia suas raízes e o impede de crescer. Adote a mudança, você criará sua própria sorte. É você que controla sua vida e seu destino final. Nada acontecerá na sua vida enquanto você não fizer acontecer – depende de você. São suas decisões e seus atos que dão forma ao seu futuro. Você decide: Ser um bonito e delicado bonsai ou um frondoso e forte Carvalho.

Daniel C. Luz

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Sempre em Paz



A violência que tumultua os homens e o aturdimento que toma conta dos quadrantes da Terra, dando gênese à loucura que se generaliza, decorre, inicialmente, da agressividade íntima, que se demora no mundo pessoal de cada criatura, produzindo desequilíbrio e infelicidade.
Certamente, a provocação do mal engendra reações inesperadas, sustentando o desespero e conduzindo a estados agressivos, todavia, tal ocorre porque encontra matrizes íntimas no homem que, em si mesmo, vive infeliz.
Por isso, enunciou Jesus: - "Vigiai e orai, a fim de não cairdes em tentação", concitando-nos ao equilíbrio e à perseverança no dever.
Sejam quais forem as circunstâncias em que te sintas envolvido, mantém a tua paz.
Atua com severidade, porém evita a rudeza.
Exerce a disciplina, sem que derrapes na violência.
Promove a educação, não te permitindo a agressividade.
Tudo quanto fizeres, faze-o em paz.
Maltratado ou sofrido, preserva a paz a qualquer preço, de modo a fruíres depois o prazer da serenidade.
Em todas as circunstâncias Jesus manteve-se ameno, em serenidade integral.
Paz é irrestrita confiança em Deus.
Conserva, desse modo, a tua tranqüilidade e coopera em favor do bem geral, não engrossando as fileiras dos reclamadores, dos violentos, dos insensatos.
A tua paz fala pela tua vida, tanto quanto a tua vida se refletirá em volta, conforme a tua conduta em conflito ou em paz.

Joanna de Ângelis
Livro: Viver e Amar - psicografia de Divaldo P. Franco.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Esforço Pessoal


As grandes conquistas da Humanidade têm começo no esforço pessoal de cada um. Disciplinando-se e vencendo-se a si mesmo, o homem consegue agigantar-se, logrando resultados expressivos e valiosos. Estas realizações, no entanto, têm início nele próprio.

E possível que não consigas descobrir novas terras, a fim de te tornares célebre. Todavia, poderás desvelar-te interiormente para o bem, fazendo-te elemento precioso no contexto social onde vives.

Certamente, não lograrás solucionar o problema da fome na Terra. Não obstante, poderás atender a algum esfaimado que defrontes, auxiliando a diminuir o problema geral.

Não terás como evitar os fenômenos sísmicos desastrosos que, periodicamente, abalam o planeta. Assim mesmo, dispões de recursos para que a onda de acidentes morais não dizime vidas preciosas ao teu lado. De fato, não terás como impedir as enfermidades que ceifam as multidões que lhes tombam, inermes, ao contágio avassalador. Apesar disso, tens condições de oferecer as terapias preventivas do otimismo, da coragem e da esperança.

Diante das ameaças de guerra, das lutas e do terrorismo existentes que matam e mutilam milhões de homens, te sentes sem recursos para fazê-los cessar, mudando-lhes o rumo para a paz. Entretanto, a tua conduta pacífica e os teus esforços de amor serão instrumentos para gerar alegria e tranqüilidade onde estejas e entre aqueles com os quais compartes as tuas horas.

A violência urbana e a criminalidade reinantes não serão detidas ao preço dos teus mais sinceros desejos e tentativas honestas. Sem embargo, a tarefa de educação que desempenhes, modesta que seja, influenciará alguém em desalinho, evitando-lhe a queda no abismo da agressividade.

As sucessivas ondas de alienação mental e suicídios, que aparvalham a sociedade, não cessarão de imediato sob a ação da tua vontade. Muito embora, a tua paciência e bondade, a tua palavra de fé e de luz, conseguirão apaziguar aquele que as receba, oferecendo-lhe reajuste e renovação. Naturalmente, o teu empenho máximo não alterará o rumo das Leis de gravitação universal. Mas, se o desejares, contribuirás para o teu e o equilíbrio do teu próximo, em torno do Sol de Primeira Grandeza que é Jesus.

Os problemas globais merecem respeito. Mas, os individuais, que se somam, produzindo volume, são factíveis de solução.

A inundação resulta da gota de água. A avalanche se dá ante o deslocamento de pequenas partículas que se desarticulam.

A epidemia surge num vírus que venceu a imunização orgânica. Desta forma, faze a tua parte, mínima que seja, e o mundo melhorar-se-á. A sociedade, qual ocorre com o indivíduo. é o resultado de si mesma. Reajustando-se o homem, melhora-se a comunidade. E, partindo do teu empenho pessoal, para ser mais feliz, ampliando a área de bem-estar para outros, o mundo se fará mais ditoso e o mal baterá em retirada.
Joanna de Ângelis & Divaldo P. Franco
Livro: Momentos de Coragem

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Receita Contra o Egoísmo



Procure esquecer o lado escuro da personalidade do próximo.

Aprenda a ouvir com calma os longos apontamentos do seu irmão, sem o impulso de interromper-lhe a palavra.

Olvide a ilusão de que seus parentes são as melhores pessoas do mundo e de que a sua casa deve merecer privilégios especiais.

Não dispute a paternidade das idéias proveitosas, ainda mesmo que hajam atravessado o seu pensamento, de vez que a autoria de todos os serviços de elevação pertencem, em seus alicerces, a Jesus, nosso Mestre e Senhor.

Não cultive referências à sua própria pessoa, para que a vaidade não faça ninho em seu coração.

Escute com serenidade e silêncio as observações ásperas ou amargas dos seus superiores hierárquicos e auxilie, com calma e bondade, aos companheiros ou subalternos, quando estiverem tocados pela nuvem da perturbação.

Receba com carinho as pessoas neurastênicas ou desarvoradas, vacinando o seu fígado e a sua cabeça contra a intemperança mental.Abandone a toda espécie de crítica, compreendendo que você poderia estar no banco da reprovação.

Habitue-se a respeitar as criaturas que adotem pontos de vista diferentes dos seus e que elegeram um gênero de felicidade diversa da sua, para viverem na Terra com o necessário equilíbrio.

Honre a caridade em sua própria casa, ajudando, em primeiro lugar, aos seus próprios familiares, através do rigoroso desempenho de suas obrigações, para que você esteja realmente habilitado a servir ao Mundo e à Humanidade, hoje e sempre.

André Luiz(Do livro “Marcas do Caminho”, Francisco Cândido Xavier)

domingo, 13 de setembro de 2009

Suicídio vai crescer 50% nos próximos onze anos, diz OMS


Para entidade, educação sobre o tema é a melhor forma de prevenção.Famílias devem discutir o assunto com pessoas que apresentam risco.

Emilio Sant'Anna Do G1, em São Paulo

Cerca de um milhão de pessoas cometem suicídio todos os anos no mundo. Por dia, uma em cada vinte tentativas é consumada. Os dados são da Organização Mundial da Saúde (OMS) e Associação Internacional para a Prevenção do Suicídio (IASP, na sigla em inglês) que apontam para um cenário ainda pior para os próximos anos. De acordo com as entidades, o problema deve crescer 50% e atingir a marca de 1,5 milhão de casos em 2020.

Nesta quinta-feira (10), quando é lembrado o dia internacional para prevenção do suicídio, as entidades advertem que a educação sobre o tema é a melhor forma de prevenção. De acordo com o psiquiatra e professor do curso de atualização em Medicina Comportamental da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Geraldo Possendoro, os grupos mais expostos são o dos pacientes psiquiátricos, como esquizofrênicos e depressivos.

Fatores como a idade, estado civil e uso de drogas também contribuem para o aumento do risco. “Pessoas mais idosas, separadas e que fazem uso de drogas de abuso, como o álcool, cometem mais suicídio”, explica o médico.

Não só os mais idosos, porém, estão expostos. De acordo com a OMS, a taxa de suicídio entre os jovens vem subindo a ponto de essa população ser considerada como a de maior risco em um terço dos países.

Possendoro afirma que, ao contrário do senso comum, conversar sobre o assunto é a melhor forma de proteger as pessoas.

Quando família percebe que um indivíduo, com fatores de risco, começa a desqualificar suas atividades rotineiras e ter um discurso de desesperança recorrente ele pode ser abordada. “Conversar sobre isso não vai fazer o indivíduo tentar, pelo contrário pode fazer com que ele se abra e procure ajuda”, diz o psiquiatra.



sexta-feira, 24 de julho de 2009

O fim do bate-boca


A boa comunicação entre as pessoas é a arma mais eficaz para disseminar a paz. É o que diz o psicólogo Marshall Rosenberg, porta-voz mundial da comunicação não-violenta.

por Marcia Bindo


Lembra a última vez que você discutiu com alguém, levantou a voz e saiu praguejando sem chegar a um entendimento? Pois saiba que guerras entre nações, brigas familiares, arranca-rabos no trabalho e a maior parte dos conflitos em todo o mundo (incluindo essa sua discussão) têm algo em comum: poderiam ser evitadas apenas com... palavras. Essa é a teoria defendida pelo psicólogo americano Marshall B. Rosenberg, que desde a década de 1960 se dedica a promover o diálogo pacífico mundo afora. Segundo ele, é na maneira como falamos e ouvimos os outros que está a chave para o problema das desavenças e discórdias. Marshall fundou em 1984, na Califórnia, o Centro de Comunicação Não-Violenta (Center for Nonviolent Communication) e tem grupos de pesquisa em mais de 50 países, incluindo o Brasil. Viaja constantemente para mediar conflitos e levar programas de paz a regiões assoladas por guerras, como Sérvia e Croácia. Aqui ele conta a estratégia para apaziguar os combates verbais do nosso dia-a-dia.

Como você começou a se interessar pelo assunto?
Cresci em Detroit, uma das cidades mais violentas dos Estados Unidos. O tempo inteiro havia brigas de rua entre as comunidades brancas e negras, inflamadas pelo preconceito. Quando isso acontecia, me escondia no porão. Até que decidi fazer algo a respeito – queria entender por que agimos de maneira violenta quando não nos entendemos. Comecei a estudar algumas maneiras de ajudar a contribuir para o bem-estar de todos. A comunicação não-violenta foi o resultado de minha especialização em psicologia social.

Quando acontece, então, a falta de comunicação?
Quando não há troca. Geralmente estamos tão preocupados com nosso ponto de vista que não escutamos o que os outros estão dizendo. Ou pior: quando julgamos aqueles que não agem de acordo com o que acreditamos ser correto. Se você quer viver no inferno, é só pensar no que há de errado com as pessoas que fazem coisas de que você não gosta. Se quer piorar um pouco mais, diga a eles o que você acha que está errado. Essa maneira cricri de se comunicar só gera raiva, medo, culpa.

O que podemos fazer para evitar tantos atritos?
Quando jovem, aprendi a me comunicar de maneira impessoal, que não exigia revelar o que se passava dentro de mim. Quando encontrava pessoas com comportamentos de que não gostava ou que não compreendia, reagia considerando que fossem errados. Aí ocorreu o clique. Entendi que a grande falha da comunicação está justamente em apontar problemas nos outros – em vez de olhar o que eles causam em nós. A comunicação começa quando expressamos nossos sentimentos. Não fazemos isso porque achamos que ficamos vulneráveis. Mas só assim criamos um relacionamento baseado na sinceridade. A partir do momento que as pessoas falam o que precisam, em vez de falarem o que está errado com os outros, o entendimento aumenta.

E como isso acontece quando há um assunto que gera discórdia?
O primeiro passo é reformular a maneira como falamos e ouvimos o outro. A idéia é treinar sempre a se expressar com honestidade e clareza, ao mesmo tempo que damos aos outros uma atenção respeitosa. Mas temos a síndrome do disco riscado: repetimos reações, julgando os outros. Existe um treino que ensinamos a todos que buscam se comunicar de maneira pacífica – do chefe de Estado à professora, do marido ao presidiário.

Como é esse treino?
Primeiro você observa um determinado acontecimento que afeta seu bem-estar, evitando julgamentos. Em seguida, identifica como você se sente ao observar aquela ação: se ficou magoado, assustado, alegre etc. Então reconhece quais são suas necessidades que não estão sendo supridas. A partir dessa reflexão é possível se comunicar com a pessoa ligada à ação, para resolver o conflito.

Você tem um exemplo?
Vamos supor que uma mãe vai falar com o filho adolescente que deixou a sala uma bagunça. Um jeito não-violento de se expressar poderia ser o seguinte: "Roberto, quando vejo bolas de meia sujas na sala, fico irritada porque preciso de mais ordem no espaço que usamos em comum. Você poderia colocar as meias no seu quarto ou na lavadora?" Veja bem, a mãe poderia reagir de diversas maneiras: bufar, punir o filho. Mas quando pratica a comunicação não-violenta ela deixa claro o que observa, como se sente, qual necessidade não está sendo atendida. Pode ter certeza de que a chance de ser compreendida é maior.

Falando assim parece fácil, mas na prática...
Esses passos na verdade funcionam para termos mais consciência antes de agir de maneira reativa e impensada. Experimente respirar fundo e dar um tempo antes de começar a falar em uma situação que está prestes a entrar em ebulição. Parece papo pra boi dormir, mas funciona! Assim você consegue elaborar o que o está incomodando.

Mas e quando a outra pessoa nos ataca verbalmente?
Da mesma maneira que é possível mudar o jeito de se expressar, também dá para escutar os outros de um jeito diferente. Todo tipo de crítica, ataque, insulto e julgamento desaparece quando concentramos a atenção em ouvir os sentimentos e necessidades por trás da mensagem. Quanto mais praticamos isso, mais percebemos que por trás de todas essas mensagens que nos intimidam estão simples indivíduos com necessidades insatisfeitas pedindo que contribuamos para seu bem-estar.

Como é o trabalho no Brasil?
Tenho uma equipe de pessoas habilitadas que trabalham para mediar conflitos em presídios, em morros do Rio de Janeiro, em empresas e até em ambientes familiares. A rede de comunicação não-violenta no Brasil é sustentada por doações. Educadores também realizam oficinas para qualquer pessoa que tenha interesse em aplicar esse aprendizado no cotidiano. O foco é sempre inspirar a compaixão – por isso foi carinhosamente apelidada de linguagem do coração.

Para saber mais:
Livros:• Comunicação Não-violenta – Técnicas para Aprimorar Relacionamentos Pessoais e Profissionais, arshall Rosenberg, Ágora

Veja mais:
Acesse www.cnvbrasil.org para saber mais sobre a entidade no Brasil e o www.cnvc.org para conhecer o Centro para Comunicação Não-Violenta, da Califórnia.
Fonte: revista VIDA SIMPLES, nº. 51, março de 2007.
(http://vidasimples.abril.com.br/sumario.shtml?edicao=51)